
Composição idêntica ao comboio inaugural do Sud Express
A
inauguração oficial é a 25 de Novembro de 1887. Estas comemorações
terminaram com um circuito turístico pelo sul de Espanha, passando
por Madrid, completado com ligação a Paris.

A
ligação ao Porto era feita em Medina del Campo por um comboio que
fazia este percurso via linha do Douro até Barca D´Alva, comboio
citado por Eça de Queiroz no seu romance “A cidade e as serras”.
A partir de 1891 o “Sud – Express” deixa de ter como términus
a estação de Sta Apolónia, passando a ser a então recentemente
inaugurada estação central do Rossio e em Paris a igualmente
recentemente inaugurada gare de Orsay. Ficando assim ligadas a gare
do Rossio a gare de Orsay. Para melhor servir os seus clientes a
Companhia da Wagons Lits cria a Companhia dos Grandes Hotéis,
inaugurando em Lisboa o Hotel Avenida Palace em 1894, que tinha a
particularidade de ter um acesso direto entre a gare da estação do
Rossio e o hotel. Nas suas deslocações habituais a Europa, muitas
personalidades nacionais e estrangeiras da época utilizaram desde a
sua inauguração este comboio. Também as principais companhias de
navegação, viram grande interesse neste comboio internacional,
tendo modificado as suas escalas, fazendo de maneira que os seus
navios se encontrassem em Lisboa para haver correspondência direta
com o “Sud Express”
Sud Express na ponte do Luso em meados do inicio do sec. XX
Com a eclosão da I Grande Guerra Mundial em 1914, o serviço de comboios “Sud – Express” é suspenso. Embora este venha a ser restabelecido na Península Ibérica em Junho de 1915, voltando em 1921 a ser de novo restabelecido em toda a sua extensão, passando em 1922 a ser diário a partir de Lisboa, sob dupla denominação de “Sud – Atlantic – Express” no ramo de Lisboa.
Com a eclosão da I Grande Guerra Mundial em 1914, o serviço de comboios “Sud – Express” é suspenso. Embora este venha a ser restabelecido na Península Ibérica em Junho de 1915, voltando em 1921 a ser de novo restabelecido em toda a sua extensão, passando em 1922 a ser diário a partir de Lisboa, sob dupla denominação de “Sud – Atlantic – Express” no ramo de Lisboa.
A
partir dos anos 30 o “Sud – Express” passa a ter o percurso
mais longo de sempre, terminando no Estoril, permitindo uma viagem
direta de Paris até esta bela e famosa estância balnear com as
suas praias, termas, casinos e magníficos hotéis. A ligação era
feita por uma carruagem cama que seguia para o Estoril, via linha de
Cascais após a chegada a Lisboa - Rossio. Esta ligação foi
efémera.
Composição do Sud Express na estação do Estoril em meados dos anos 30
Sud Express na região de França
Neste período pós guerra, o “Sud – Express” restabelece o seu percurso normal Paris – Lisboa, em 1 de 1947, este comboio do pós-guerra nada tem a ver com o luxuoso e caro do início do século cheio de encanto e glamour. Também as relações económicas entre os três países haviam afrouxado, a rede ferroviária em Espanha tinha sido fortemente abalada pela guerra e não permitia praticar grandes velocidades. A clientela que procurava o “Sud” já não era a mesma. O advento da aviação comercial que entretanto se tinha expandido, nomeadamente a partir dos anos 50 veio tirar clientela a este comboio. A partir de 1955 o “Sud – Express” voltou a ser diário e retoma como estação términus Sta Apolónia em Lisboa.
Composição do Sud Express na estação de Sta Apolónia em meados dos anos 50
Neste período pós guerra, o “Sud – Express” restabelece o seu percurso normal Paris – Lisboa, em 1 de 1947, este comboio do pós-guerra nada tem a ver com o luxuoso e caro do início do século cheio de encanto e glamour. Também as relações económicas entre os três países haviam afrouxado, a rede ferroviária em Espanha tinha sido fortemente abalada pela guerra e não permitia praticar grandes velocidades. A clientela que procurava o “Sud” já não era a mesma. O advento da aviação comercial que entretanto se tinha expandido, nomeadamente a partir dos anos 50 veio tirar clientela a este comboio. A partir de 1955 o “Sud – Express” voltou a ser diário e retoma como estação términus Sta Apolónia em Lisboa.
Composição do Sud Express na estação de Sta Apolónia em meados dos anos 50
Com a revolução dos cravos o “Sud – Express” vira também a ter o seu papel de comboio da liberdade para muitos, que por ideologias políticas estavam longe no exílio e que agora regressam ao país de origem. O “Sud – Express” deixa de ter o encanto de outrora, com as belas carruagens de madeira de tecka envernizadas ou das nostálgicas e lendárias carruagens azuis da Wagon Lits que as celebrizaram, passa a ser um vulgar comboio que transporta todo o tipo de passageiros, nomeadamente a grande emigração para França no inicio dos anos 60 e 70, já nos anos 80 é o comboio dos Inter – Rail.
É
na década de 80 mais concretamente em 11 de Setembro de 1985, que
ocorreu com um comboio complementar ao “Sud”, um dos mais graves
acidentes ferroviários ocorridos em Portugal. O choque frontal em
Alcafache na linha da Beira Alta de um comboio regional com o
especial emigrantes que teria ligação ao “Sud”. Morrendo meia
centena de passageiros sendo vários dados como desaparecidos. Apesar
de alguns acidentes ocorridos na história deste comboio, este foi o
mais grave.
Sud Express na linha da Beira Alta
Sud Express na linha da Beira Alta
Com
partidas diárias de Lisboa e Paris, continuando assim a manter
ligadas estas duas belas capitais europeias, proporcionando uma
travessia mais rápida e cómoda, já eletrificada, a linha da Beira
Alta percorre pitorescas zonas de belas paisagens com o seu verde por
entre rochas graníticas, pontes e túneis, até chegar a vila
fronteiriça de Vilar Formoso e depois Espanha. Apesar do “Sud –
Express” ser um comboio que como alguns lhe chamam, uma caricatura
do original, ainda conserva alguma nostalgia e até um certo
romantismo próprio dos grandes expressos, sendo um dos poucos
sobreviventes desta “espécie”, que a partir de 1 de Março de
2010, passados que são 120 anos da sua inauguração, passa a ser
efetuado com composições Talgo, alugadas para o efeito a RENFE. O
“Sud – Express” entra assim na modernidade, todavia já não
constitui o importante veículo sócio cultural de outrora, mas
continua a ser um comboio democrático com preços para todas as
carteiras.
Sud Express atual na zona de Lisboa com composição Talgo Pendular
Sud Express atual na zona de Lisboa com composição Talgo Pendular
Paulo
J. A. Nogueira
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